Como identificar uma empresa ruim antes de investir (Guia Avançado)
Identificar empresas ruins não é apenas evitar prejuízo é proteger seu capital contra destruição silenciosa de valor. Diferente de quedas pontuais de preço, empresas ruins apresentam problemas estruturais, que ao longo do tempo corroem lucro, caixa e confiança do mercado.
Neste guia, vamos aprofundar os sinais menos óbvios aqueles que realmente separam investidores amadores de investidores consistentes.
1. A diferença entre empresa ruim e empresa “em fase ruim”
Esse é um dos erros mais comuns.
. Nem toda empresa que está caindo é ruim
. E nem toda empresa que está subindo é boa
Empresa em fase ruim:
. Sofre com ciclo econômico: cenário macroeconômico, ou seja, preço de suas matérias primas caras, seu commoditie mais barato, juros altos, dentre outros;
. Problema temporário: um resultado não recorrente ou algo inesperado. Um exemplo é o Banco do Brasil (BBAS3), está vivendo inadimplência do agronegócio, fazendo com que o preço de sua ação baixe de preço.
Empresa estruturalmente ruim:
. Modelo de negócio fraco: sua estratégia de negócio não é muito boa, fazendo com que seus lucros não sejam altos;
. Problemas recorrentes: problemas nessa determinada empresa é normal, fazendo com que a cada balanço trimestral da empresa há sempre um problema a ser corrigido.
O investidor inteligente foca na estrutura, não no momento.
2. Retorno sobre capital (ROIC) baixo o assassino silencioso
Um dos indicadores mais importantes e mais ignorados é o ROIC (Return on Invested Capital). Ele é um indicativo que mede quanto a empesa gera de retorno sobre o capital investido nela, ou seja, se alguém investiu R$100 e recebeu R$20 seu ROIC é de 20%.
Sinal crítico:
ROIC consistentemente baixo ou abaixo do custo de capital, logo, isso quer dizer que é o retorno mínimo que investidores exigem para compensar o risco.
Tradução prática: A empresa até cresce, mas destrói valor enquanto cresce. Portanto, por mais que ele cresce sua rentabilidade está baixando.
3. Diluição constante do acionista
Esse é um dos piores sinais e muita gente ignora, a empresa começa a vender mais ações dela mesma, quer dizer que está fatiando ela mesma, fazendo com que sua porcentagem da empresa vai diminuindo.
O que acontece:
A empresa emite novas ações para:
. Pagar dívidas;
. Financiar operações;
. Cobrir prejuízos.
Resultado:
Você passa a ter uma fatia menor da empresa, se for feita de maneira certa irá ajudar bastante a empresa para pagar suas obrigações (desalavancagem) ou fazer novos investimentos, mas se não só piora.
Alerta:
. Aumento frequente no número de ações: toda hora mexendo na dinâmica da empresa, fazendo com que investidores saem por medo;
. Crescimento que não beneficia o acionista: está fatiando mais a empresa, em outras palavras, está deixando cada vez você com uma porcentagem pequena da empresa.
Isso é típico de empresas fracas financeiramente.Você deve tomar bastante cuidado para não perder seu dinheiro.
4. Lucro “ajustado” demais
Empresas problemáticas adoram usar termos técnicos só para deixar mais bonita a apresentação, uns nomes em exemplo são:
. “lucro ajustado”
. “EBITDA ajustado”
. “resultado recorrente ajustado”
Problema:
. Muitos ajustes podem esconder a realidade: precisam explicar o seu lucro, dizendo da onde veio;
. Exclusões constantes de custos relevantes: só postam quando é muito importante, mas na maioria das vezes é mencionado no relatório trimestral.
Regra prática:
Quando o lucro precisa de muitos ajustes para parecer bom, geralmente ele não é tão bom assim.
6. Reinvestimento ineficiente (capital mal alocado)
Uma empresa pode gerar muito caixa e ainda assim ser ruim. Há outro termo técnico chamado ROE (Return On Equity), ele é medido em porcentagem, o ROE é a divisão do Lucro Líquido pelo Patrimônio Líquido, mede o retorno sobre o patrimônio líquido, um ROE bom é acima da Taxa SELIC. Tudo depende de como ela usa esse dinheiro.
Problemas comuns:
. Aquisições caras e mal feitas: quando o ativo faz uma aquisição de algo é geralmente é bom, mas se pagou caro demais, fez empréstimos com juros lá nas alturas, automaticamente se espera muito dessa aquisição;
. Projetos com baixo retorno: quando fazem um projeto e esse projeto vai ter um retorno abaixo do que o ativo está acostumado a esperar, só tem duas coisas, a primeira, baixou seu Cap Rate para deixar mais segura e diversificada sua carteira de investimentos (geralmente é isso), já a outra é quando pagou bem caro no projeto e por isso não vai render muito.
Sinal claro:
. Lucro cresce pouco de seu patrimônio líquido aumentar: pois precisa aumentar o seu patrimônio maior do que o seu Lucro Líquido (em porcentagem), só assim consegue um lucro considerável.
Isso indica destruição de valor no longo prazo.
7. Volatilidade excessiva nos resultados
Empresas ruins apresentam:
. Lucro imprevisível: por mais que não conseguimos acertar com 100% de certeza quanto de lucro a empresa terá no ano, conseguimos ter uma estimativa, ou seja, podemos fazer um cálculo. O cálculo consiste em pegar os lucros líquidos obtidos no ano e dividir pelos meses desse lucro e multiplicar por 12 (números de meses do ano). Exemplo uma empresa teve um lucro acumulado de 1 bilhão referente ao primeiro e segundo trimestre do ano, logo pega esse valor e divididos por 6 ( 2 trimestres) após isso multiplicamos por 12, logo teremos uma métrica de quanto será o lucro dela no ano, nesse exemplo é algo próximo de 2 bilhões de Lucro Líquido no ano;
. Oscilações bruscas: a empresa há bastante oscilações com índices quantitativos, ou seja, um ROE oscilando, um PL oscilando, dentre outros. Portanto, oscilações bruscas significam que os resultados da empresa são instáveis e imprevisíveis ao longo do tempo.
Interpretação:
. Falta de controle operacional;
. Modelo instável;
. Dependência de eventos pontuais.
Previsibilidade é um dos maiores ativos de uma empresa. Se queremos renda passiva e não ficar nervoso pelos resultados queremos algo previsível e lembre-se, seu objetivo é operar bem, o dinheiro é uma consequência de sua boa operação
8. Mentalidade correta do investidor
Evitar empresas ruins exige disciplina e principalmente estudar sobre o assunto, se queremos uma rentabilidade maior que outras pessoas, logo teremos que ser mais inteligentes que elas, o mercado premia quem estuda bastante e machuca quem não entende sobre o assunto e fica dependendo dos demais. O que diferencia um investidor comum dos inteligentes:
O investidor comum:
. Procura “oportunidades escondidas”: quer sempre achar o melhor investimento para se fazer no momento atual, ignorando sua carteira de investimentos e pegando outro ativos alternativos;
. Compra ações baratas: por mais que devemos comprar barato, mas dando prioridade aos ativos que estão na nossa carteira, ou seja, ele quer sempre pagar barato numa empresa, sendo que nem entende do que ela se trata, ganha dinheiro, em outras palavras ele não sabe de nada da empresa.
. Ignora riscos: nunca devemos ignorar nossos riscos, precisamos ter métricas em nossos ativos. Exemplo, na minha carteira as criptomoedas, devem ocupar até 10% de meu patrimônio total, até posso passar mais 5%, mas desde que esteja em bastante oportunidade. Isso é uma banda de desbalanceamento, ou seja, até quanto eu posso ter nesse ativo, e não sair comprando feito louco sabendo que está barato
O investidor inteligente:
. Evita riscos óbvios: ter muito de um determinado ativo na carteira e seu desconto para entrar em determinado ativo é alto, ou seja quer algo descontado, mas com qualidade;
. Prioriza qualidade: quer sempre empresas líder de mercado, dívidas baixas e empresas com bastante tempo de existência, ou seja, queremos empresas resilientes, por mais que não pagam tanto, mas tenham bastante qualidade.
Conclusão final
No mercado financeiro, grandes perdas raramente acontecem por azar. Elas acontecem por ignorar sinais e por preguiça de estudar, empresas ruins quase sempre deixam pistas:
. Nos números;
. Na gestão;
. No comportamento.
O problema é que muitos investidores preferem acreditar em história em vez de analisar dados.

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