Stablecoins: o que são, como funcionam e quais os riscos?
No universo das criptomoedas, a volatilidade costuma ser uma das maiores preocupações dos investidores. Em poucos dias e às vezes em poucas horas os preços podem subir ou cair de forma intensa. Foi nesse contexto que surgiram as stablecoins, um tipo de criptoativo projetado para manter preço estável, geralmente pareado ao dólar, mas pode ser atrelada a outro ativo no mercado como: ouro, prata e o euro. Mas será que elas são realmente “seguras”? Como funcionam na prática? E quais riscos você precisa conhecer antes de usar?
É exatamente isso que vamos explicar neste artigo.
O que são stablecoins?
Stablecoins são criptomoedas criadas com o objetivo de manter um preço fixo ou muito próximo de um ativo de referência. O mais comum é o dólar:
. 1 USDT ≈ 1 dólar
. 1 USDC ≈ 1 dólar
. 1 BUSD ≈ 1 dólar
Mas existem stablecoins pareadas a:
. Outras moedas (euro, real, yuan),
. Commodities (como ouro),
. E até índices.
O objetivo é combinar o melhor dos dois mundos:
. Estabilidade de preço (não correr muita volatilidade)
. Velocidade e baixo custo de transações do universo cripto.
Como as stablecoins mantêm o valor?
Existem diferentes mecanismos. Os principais são:
1) Stablecoins lastreadas em dinheiro (fiat-backed)
Um tipo de criptoativo cujo valor é diretamente atrelado a uma moeda fiduciária tradicional, como o dólar americano, o euro ou o iene. Seu objetivo principal é fornecer a estabilidade de preços das moedas tradicionais em um ambiente de criptomoedas, que geralmente é muito volátil. São as mais usadas. Funcionam assim:. O investidor deposita dólares (ou equivalente) em sua corretora.
. A empresa emissora guarda esse dinheiro (ou ativos equivalentes).
. Emite a stablecoin em valor igual.
Exemplos: USDT (Tether), USDC (Circle), BUSD (antiga Binance USD)
Teoricamente, para cada 1 USDT, deve existir 1 dólar (ou ativo seguro) guardado.
Essas reservas podem estar em: dinheiro em caixa, títulos do governo, depósitos bancários, papéis de curto prazo.
2) Stablecoins colateralizadas por cripto (DeFi)
São um tipo de moeda digital cujo valor é atrelado a um ativo do mundo real, como o dólar americano, mas garantido por outros criptoativos em vez de moeda fiduciária tradicional ou outros ativos do mundo real. Aqui, o lastro é feito com outras criptomoedas. Exemplo clássico: DAI (MakerDAO).Funciona assim:
. O usuário deposita cripto (ex.: ETH) como garantia.
. Recebe DAI em troca.
. Se o mercado cair demais, a garantia pode ser liquidada.
Essas stablecoins dependem de smart contracts e regras automáticas para manter a paridade.
3) Stablecoins algorítmicas
São um tipo de criptomoeda projetada para manter um valor estável, geralmente atrelado a uma moeda fiduciária como o dólar, sem a necessidade de lastro em ativos reais (como dinheiro em caixa ou títulos). Em vez disso, elas usam algoritmos e contratos inteligentes para gerenciar a oferta e a demanda da moeda no mercado Não têm lastro real. Elas utilizam algoritmos para controlar oferta e demanda:O exemplo mais conhecido e problemático foi a UST (Terra), que colapsou, foi causado principalmente por falhas em seu mecanismo algorítmico de estabilização, que não possuía lastro real em ativos externos e entrou em uma "espiral da morte" (death spiral) após uma grande pressão vendedora
Esse tipo é considerado muito arriscado.
Para que servem as stablecoins?
Apesar de parecer simples, elas têm papel estratégico no mercado cripto:
1) Proteção contra volatilidade
O investidor pode:
. Sair de um ativo arriscado para um menos volátil.
. Estacionar capital em stablecoins
. Sem precisar voltar para moeda fiduciária.
2) Transferências rápidas e baratas
Enviar dólares via banco internacional pode levar dias.
Com stablecoins:
. Transações em minutos diferente de uma transação internacional
. Taxas geralmente menores (dependendo da blockchain)
. Sem intermediários bancários.
3) Uso em DeFi
Stablecoins são essenciais em:
. Staking (o ato de "travar" suas criptomoedas em uma rede blockchain para ajudar a validar transações e proteger o sistema, funcionando como uma forma de renda passiva, onde você é recompensado com mais criptomoedas por sua participação, similar a uma poupança ou renda fixa, mas no mundo cripto).
. Empréstimos,
. Pools de liquidez,
. Rendimentos (yield farming).
Quais são os principais riscos?
Apesar da aparência de segurança, stablecoins NÃO são isentas de risco.
Vamos aos principais:
1) Risco de reserva (não ter lastro real)
Nem sempre o emissor possui 100% das reservas prometidas.
Se a confiança acabar, ocorre o “descolamento” ( refere-se ao fenômeno em que o movimento de preço das criptomoedas, como o Bitcoin, passa a ocorrer de forma independente de outras classes de ativos, como as ações do mercado tradicional (por exemplo, S&P 500 ou Nasdaq).
. 1 USDT ≠ 1 dólar
. 1 USDC ≠ 1 dólar
E isso já aconteceu em alguns momentos.
2) Risco regulatório
Governos e bancos centrais estão aumentando a fiscalização. Pois possíveis lavagens de dinheiro com criptoativos, especialmente o bitcoin.
Consequências possíveis:
. Congelamento de contas
. Bloqueio de emissões
. Proibições parciais.
3) Risco de contraparte
Nas stablecoins centralizadas, você precisa confiar na empresa emissora.
Se ela falir ou agir de forma irresponsável, o usuário pode não conseguir resgatar.
4) Risco tecnológico
Mesmo com auditorias, há riscos de:
. Falhas em smart contracts
. Ataques hackers
. Erros operacionais.
No caso das algorítmicas, o risco é maior: se a confiança quebra, o sistema entra em colapso.
Stablecoins são “seguras”?
Elas são mais estáveis que outras criptos, mas os criptoativos em si são bastante voláteis, devido as relações externas de países. Entretanto
. Não têm garantia governamental,
. Não são equivalentes a dinheiro no banco,
. E não eliminam o risco financeiro.
Boas práticas ao usar stablecoins
Para reduzir seus riscos de sua carteira não colapsar:
-
Não concentre tudo em uma única stablecoin, tenha diversificação;
-
Prefira projetos auditados e transparentes e que apresentam resiliência ao mercado;
-
Entenda onde a stablecoin é guardada (corretora, carteira própria, DeFi). E como funciona a que você está comprando;
-
Desconfie de rendimentos muito altos, pois investir não é cassino;
-
Use somente valores compatíveis com seu perfil de risco, ou seja, veja qual a melhor criptomoeda de acordo com seu perfil de investidor.
